De Eyjafjallajoekull à Reykjavík


Fugindo um pouco da visão “punk” que vocês adquiriram sobre a minha pessoa, hoje falarei sobre um livro que li a alguns anos atrás e, mais do que registro de estilos musicais, é o registro de um pais inteiro!
“Rumo à Estação Islândia” de Fábio Massari, ex-VJ da MTV, é um misto de diário de viagem com um jornalismo gonzo investigativo. Registrando “in loco” a cena musica de Reykjavík, capital da Islândia, e imediações.

Para quem conhece o ex apresentador do “Lado B MTV” vai identificar a narrativa “massariana”, onde chega a tratar sua coleção de LP´s como uma pessoa, se referindo a ela na terceira pessoa.

Para o leigo em sons “indie”, quando se fala em Islândia pensasse em Björk, realmente ela é a “que deu certo”, mas não quer dizer que seja a melhor (também não estou dizendo que é a pior ou que não é boa…) ou a unica, mas a Islândia, apesar de ser uma ilha minúscula, é maior que isso.

Realmente em vários momentos no livro é falado sobre esse “estigma da Björk”, a verdade é que muitas bandas quebraram a barreira do idioma impronunciável e fizeram/fazem sucesso fora de lá!


Longe de ser um “Guia para turistas”, pois só são mencionadas algumas casas noturnas, cafés e bares (um deles, por curiosidade, pertencente a Damon Albarn do Blur), ficamos sabendo que a Islândia tem apenas 280 mil habitantes, que o país só conquistou independência da Dinamarca em 1944, e que tem uma produção cultural absurdamente imensa, com músicos, artistas, poetas e escritores em profusão. É o país que publica mais livros ‘per capita’ no mundo. Relatos surpreendentes de como a cerveja era proibida e só foi liberada em 1989 (!), isso em um país onde o esporte nacional é o levantamento de copo…

A principal diversão do Islandês é sair à noite para beber, mas beber mesmo, até cair. Lá não existe essa de  “beber socialmente”. Nas palavras do autor, lá vai uma tradicional receita dos locais:

“O mítico brennivín (vinho queimado), bebida para esôfagos forjados à ferro e fogo, é um destilado de batatas que atende pelo simpático apelido de ‘morte negra’. É elemento quase obrigatório, recomendado. Cai como uma luva na experiência de degustação do tradicional (folclórico) hákarl, poderosos cubinhos de amônia, ou melhor, cubinhos de carne de tubarão tratados na melhor tradição da culinária viking… carne do cão dos mares enterrada na areia e curtida, por meses, até seu ponto de apodrecimento supremo. É jogar um cubinho para dentro, mastigá-lo com brio, fumar e tragar os vapores amoniacais, cobrir tudo com os gélidos véus da tempestuosa morte negra e … burp!”

A narrativa é extremamente detalhada, desde as garage-bands do anos 60, até os dias de hoje. Comentários sobre discos das principais bandas e artistas, se foram lançados em cd ou não, tudo acompanhado por entrevistas com alguns dos personagens mais importantes dessa história. O negócio é que essa narrativa só é acompanhável para pessoas ‘do meio’, uma pessoa “normal” dificilmente vai acompanhar o desfile de dezenas e dezenas de nomes absolutamente impronunciáveis e quase que totalmente desconhecidos.

Mesmo os mais antenados só vão “pescar” Sigur Rós, Gus Gus, Emiliana Torrini, Bellatrix, Magga Stina, e é claro, Sugarcubes (e suas pré-bandas Kukl e Tappi Tikarrass, além dos ex integrantes Bjork, Einar Örn, Siggi e Thór Eldon).

Deixando de lado essas considerações, é inegável a curiosidade que dá. Como será o som de Hljómar, Trúbrot, Icecross, Purrkur Pilnikk, Q4u, Das Kapital, Theyr, Bogomil Font, Sjón, Unun, Ham, Lhooq ouÖrkuml ? Eu ia citar outras, mas algumas letras não existiam no teclado…

@GutemHC

P.S.: Há um blog influenciado pelo livro só com sons da Islândia que merece, no minimo, uma visita: http://estacaoislandia.blogspot.com/

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